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“Será que o problema sou eu?”
Esta é a pergunta que assombra as madrugadas de milhares de profissionais.
Quando o domingo à noite fica triste e pesado, quando o corpo dói antes de ligar o computador e quando a irritação se torna o seu estado emocional padrão, surge a dúvida cruel: É o meu trabalho que é insuportável ou sou eu que perdi o brilho?
Neste universo no qual confundimos sobrecarga com comprometimento e merecimento com dedicação incondicional, distinguir entre um ambiente tóxico e uma crise interna (padrões comportamentais ou exaustão psicológica) é um passo crítico para a busca por ajuda.
Então, se o problema é o ambiente e você tenta resolver apenas “trabalhando a sua mentalidade”, você correrá o risco de se culpar por não aguentar o inaceitável.
Por outro lado, se o problema for um padrão interno, você mudará muitas vezes de cargo, de área ou de empresa e será assombrado pelos mesmos fantasmas, independente do caminho que escolher.
Neste artigo, vou lhe ensinar algumas dicas para avaliar de onde vem o seu sofrimento e como decidir o seu próximo passo.
Um ambiente de trabalho tóxico é aquele onde a cultura, as dinâmicas de poder e/ ou a liderança promovem o adoecimento.
Neste caso, não se trata de uma fase difícil ou de um projeto exigente, existe um sistema que é disfuncional.
Seguem alguns indicadores de toxicidade para sua referência:
Se você já fez mudanças ou admite que o ambiente é aceitável, mas o seu sofrimento nunca diminui, pode ser que a sua percepção pessoal esteja contaminada por padrões disfuncionais, que foram aprendidos ao longo da vida.
Sinais de que a origem pode ser interna:
Atenção! Tente fazer um exercício e verifique se estas sensações desconfortáveis (de não ser suficiente ou de estar sempre em perigo) já apareceram em outros contextos, inclusive fora do trabalho (na escola, em relações passadas, no curso anterior).
Infelizmente, este é um cenário comum. Normalmente uma pessoa que possui hábitos perfeccionistas e sente dificuldade de sinalizar seus limites é o par perfeito para uma liderança autoritária, desorganizada ou intransigente.
Na prática, o ambiente alimenta a sua insegurança e esta não permite que você veja que o problema está lá fora e não nas suas características.
O resultado é que você está sempre se esforçando mais para consertar o que é seu, mas o contexto lhe suga e não resta energia para mais nada.
Chegou o momento de sair das suposições e dúvidas. Verifique os dados!
Que tal usar os próximos dias para fazer um exercício simples? Comece pelo mapeamento dos momentos em que sente a ansiedade mais forte (aguda) e pergunte-se:
Se você já identificou que o seu problema está mais ligado ao contexto profissional do que ao seu comportamento, você pode interromper o ciclo de pensamentos de vergonha e culpa.
Agora, se as suas conclusões apontam para uma questão interna, você ganha a oportunidade de se transformar e evoluir.
No entanto, independentemente de seu sofrimento ser explicado por conjunturas culturais, estruturas e organização do trabalho ou por características pessoais, saiba que estes desconfortos não desaparecerão magicamente!
Mesmo que reconheça que trabalhe em um lugar que respeite quem você é, com as suas potencialidades e limites, somente com uma mente equilibrada você focará no que é mais importante e construirá uma vida que vale a pena.
Sentiu que ainda restam dúvidas e, com esta confusão, não sabe o que fazer ou a qual profissional recorrer, saiba que, através de um olhar integrado entre a psicologia clínica e a estratégia de carreira, posso lhe auxiliar nesta descoberta e na definição de qual será a primeira fase deste processo.